• Document: Morte e Vida Severina João Cabral de Melo Neto
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Morte e Vida Severina João Cabral de Melo Neto Introdução: o contexto histórico A terceira geração modernista no Brasil tem início em 1945, ano que marca o fim da Segunda Guerra Mundial, que teve como consequências, entre outras, a ascensão dos Estados Unidos e da antiga União Soviética e o surgimento do bloco dos países do Terceiro Mundo. A Europa sofre a perda de sua hegemonia econômica e política; devastada e desprovida de recursos para a recuperação de sua economia, assiste à implantação do "Plano Marshall", um plano de ajuda financeira desenvolvido pelos Estados Unidos, o qual visava, além do auxílio à economia europeia, à vazão para as mercadorias americanas. Cria-se a ONU, que seria responsável pela preservação da paz mundial, e o mundo vive os problemas internacionais criados pela "Guerra Fria" — o confronto diplomático e militar entre os Estados Unidos e a União Soviética; O embate entre socialismo e colonialismo e a descolonização, movimento de emancipação das antigas colônias da Ásia e da África, somam-se à Independência da Índia, em 1947, e, em 1948, à Revolução Comunista na China. No Brasil, 1945 é o ano do fim do Estado Novo A reforma constitucional de fevereiro regulamenta as eleições e é dada anistia aos presos políticos, com o favorecimento do debate público e da organização partidária. As medidas em benefício dos trabalhadores, aliada à política nacionalista de defesa dos interesses brasileiros provoca o "Queremismo", movimento de apoio a Getúlio Vargas por parte de setores trabalhistas e de comunistas, mas os setores das classes dominantes, os do capital internacional e as Forças Armadas forçam sua deposição de Getúlio Vargas. Finalmente, em dezembro, as eleições colocam o general Eurico Gaspar Dutra, ministro da Guerra no governo Getúlio, no poder; inicia-se o desenvolvimento da "república populista". De 1945 a 1960, o país passa por um período de grandes mudanças, entre as quais se destacam:  A participação na Guerra Fria, ao lado do bloco ocidental, com vistas à contenção do avanço comunista. Em 1947, é declarada a ilegalidade do Partido Comunista e acontecem exílios e prisões, envolvendo vários intelectuais da nação.  Em 1951, ocorre a volta de Getúlio Vargas ao poder, por eleição direta; começa aí a política nacionalista e populista, que desagrada às classes dominantes e determina a pressão dos militares para seu afastamento do governo, o que culmina com o suicídio, em 1954.  Em 1955, há a eleição de Juscelino Kubistchek para presidente, com a proposta de cumprir "cinqüenta anos em cinco", voltada para a política desenvolvimentista, com a construção de Brasília e o desenvolvimento acelerado, que traz o aumento da inflação e da dívida social.  Finalmente, em 1960, a eleição de Jânio Quadros para a presidência da República, em meio a mudanças políticas, sociais e econômicas, que se refletirão, durante o período, na vida cultural do país, em vários acontecimentos, entre os quais:  a introdução da televisão, por iniciativa do jornalista Assis Chateaubriand;  o surgimento do Teatro Brasileiro de Comédia;  o desenvolvimento do cinema, tanto com as "chanchadas", como o "cinema sério";  a divulgação, pelo rádio, de ritmos brasileiros e americanos, como a Bossa Nova, em 1958. Esse é, enfim, o panorama sociocultural no qual se desenvolve a "Geração de 45", marcada por características muito próprias e peculiares. www.robertoavila.com.br 1 Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto A Geração de 45: uma época singular A sociedade vive, no período pós-guerra, novas necessidades, determinadas pelo terror da guerra e da destruição; aumenta a necessidade de uma comunicação mais direta, e isso determina o predomínio da prosa sobre a poesia, com prioridade do gênero narrativo. A influência da ideologia comunista, por sua vez, implica o cultivo de uma literatura participante, em que se divisa a denúncia da realidade social, degradada nas suas estruturas fundamentais. Buscam-se caminhos para o entendimento e a decifração do homem, no que se nota claramente a influência das teorias freudianas e do catolicismo existencial. Procura-se, enfim, senão um remédio para as dores da guerra — e seus temores —, pelo menos paliativos que tornem sua lembrança mais suportável. O Experimentalismo dos anos 50, por exemplo, abriria caminho para a ruptura com a tradição do gênero narrativo e com os limites entre suas estruturas. Do ponto de vista da poesia, a "Geração de 45", ou Terceira Geração Modernista no Brasil representou, praticamente, uma volta à literatura que se fazia antes da Semana de Arte Moderna de 1922. Vista dessa forma, po

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